terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Velhice


 

A velhice é a posição do nosso ponto vivente na linha do tempo. Aquele momento arrastante entre o nascimento e a morte, em que se está mais perto do fim do que do princípio. Uma das características dessa posição é a relação com as memórias, a cada segundo se colecionam mais e a cada minuto se tem a probabilidade de não recordar nenhuma. Não há saúde sem memória.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Que mundo este


 

Que mundo este em que estamos! a ideia que tínhamos de Ocidente, agora está em Tóquio; o Papa diz que nem toda a propriedade privada tem que ser respeitada e a Igreja só em Itália é proprietária de 22% dos imóveis e aqui em terras já poucos Lusas, somos dirigidos por ovelhas que pensam que são lobos de outras ovelhas e acusam os diferentes pensantes de ser inimigos sociais. Já não se governa por direito justo, natural e pensado, governa-se por decreto apressado nascido de estudos sem direito a contraditório. Que mundo este, que em vez de limpo e elegante, como aponta a etimologia da palavra, cada vez é mais imundo e absurdamente ordinário.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

B.I . político




Não sou verdadeiramente político, seguindo as bases etimológicas da palavra, dado que neste momento não habito numa cidade, a polis. Já nesses antigos tempos a política era para os homens da cidade, as mulheres, os escravos e quase todos os do campo, ficavam de fora. 

Eu ainda estou.

Podendo parecer nalgumas coisas, anarquista,  assim não me considero, perto deles tenho o meu ser libertário. 

Admirando alguns principios comunistas (ms muito mais, os comunitaristas), recuso qualquer ditadura, incluindo a de qualquer proletariado.

Já meditei, já sonhei e até já objectivei ser apátrida, mas influenciado por aquele gajo que nada pensava, chamado Fernando Pessoa, que dizia que a sua pátria era a  língua portuguesa, já me contentaria em ter um passaporte que me desse livre acesso aos palop, mas só tendo a certeza que os de lá também teriam livre acesso ao país da morcela com arroz e do bacalhau com todos.

Abrindo e aproximando ao tempo de agora, duvido cada vez mais da esquerda (principalmente da esquerda caviar) e cada vez mais de todas as direitas, principalmente aquelas que dizem, Chega! e o que querem é apenas tomar conta dos vários negócios , poderes e riquezas.

Quando escuto alguém dizer-se, esquerdista-cristão, social-cristão, ou até ultra radical de direita paulista ou mesmo liberal, mais não me resta do que rir de tanta tristeza das considerações.

Daquelas ideologias de casaco de cor diferente, mas todos comprados no mesmo alfaiate, sociais democracias, socialismos vários ditos democráticos, democracias cristãs e afins, tenho apenas uma palavra, sejam honestos e deixem-se de merdas!

Mesmo recusando a maior parte do ensinamento marxista, sigo esta divisa ‘De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades’. Acrescento a esta ideia, aquela outra de um meu avô, ‘’ netinho tenta ser feliz sem fazer mal a ninguém’’. Que mundo bom já seria só com estas duas.

Enfim, desde os nacionalismos vários de esquerda ou direita, até ao fascismo populista que agora reaparece, permanecerei apenas eu, livre pensador e capaz de morrer a qualquer momento por essa luta de liberdade de pensamento e de existência.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

A esperança é remédio d’agora

A esperança é remédio d’agora 

Para chegar a amanhã

Sem rimas nem certezas 

No destino

Controlado

Do medo que anda lá fora


A sabedoria não é saber

mas também é remédio

de sempre


Neste sobreviver

Escondido

com a certeza de que ninguém ainda venceu a morte

Apenas a atrasou

Para amanhã


Só a alegria é láudano

Para esta tristeza ferrugenta

Que carrego


Aqui e agora




quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Para seres Deus

 


Para seres Deus

terás que compreender a tua própria unidade.

Para seres um Deus 

que eu consiga aceitar,

terás que conseguir comunicar comigo

e explicar-me as diferenças e semelhanças

entre cada uma das nossas unidades.



terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Botas cardadas sobre livros

Botas cardadas caminham

sobre livros

regados 

com gasolina


Muitas mãos 

acendem já o fogo


Primeiro roubar-nos-ão 

as palavras

as ideias

depois


E no fim

livrar-se-ão 

de todos

os não formatados


Eles andam aí




domingo, 11 de outubro de 2020

Superação

Sinto outra vez a quietude

a empurrar-me na vertical

de todas  os movimentos para continuar vivo

por entre a vicissitude

deste tempo coercivo

sem atitude


Faço da vida arte e da arte luta

preferindo a dor forte de um dia

às dores sempre a moer

no tempo  da labuta 

e no esforço resolver

a depressão absoluta


Pensamentos na horizontal

da vida que cai a pique, agarro a música que passa

embalo  no ritmo e preparo-me

para o choque frontal

indago-me

é natural




terça-feira, 17 de setembro de 2019

Desilusão2.019

Mudas o tamanho da letra

 para poderes escrever melhor

E começas a escrever

A velhice não perdoa e não é só na vista

A tesão pode ser a mesma

Mas a mecânica corporal reage com frequências mais longas

Cada maleita traz outra atrás

Se não tens seguro tás fodido

Se és sem abrigo, estás nas mãos do acaso

Ou de Deus (há ainda essa doença)


e por estas e por outras que daqui nascem

És abandonado

Como se nunca nada te tenham prometido

Porque tudo tem desculpa

perdão é que não pode ter


Mas o que interessa é conseguires ser

No mínimo aquele que eras antes

Porque o que fores a mais

Pode ser contaminação 

Do sonho que viveste

a pensar que era real

Vai o mundo de  mal a mal

O respeito agora é retórica

E o amor está contaminado com paixão 

cheia de  vida própria

Sem nada de concreto na direcção


Que se foda 

Prepara-te para outra 

mesmo adivinhando

Que te poderá acontecer uma repetição 

Bem parecida

De belo sorriso

Como aquelas que já passaram


Desilusão2.019 hãToino de Lírio

in ''Poesia com azia''

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Tempo do Cansaço

Assim como não há Caminho sem obstáculos, não há Caminhada sem Cansaço. Por vezes tenho que arriscar a vida para seguir o meu querer. Aqui e agora é útil não falar muito e utilizar a tranquilidade para estabilizar a força que me falta. Não está longe o momento em que alcançarei a nascente de outras águas puras, com as quais recuperarei todas as energias que agora não tenho. Escondida em qualquer recanto da minha tristeza, deverei guardar um pedacinho de alegria, que me aguentará até chegar à nascente.
No meu interior, mesmo diante deste momento, existe um poço que me atrai para as forças mais obscuras da existência. Deverei manter o alerta para não esquecer que o poço apenas servirá para me matar a sede e não afogar-me até à morte. 
A causa imediata desta angústia sofrimento foi a minha teimosa crença na beleza; tanto contemplei a princesa do meu amor que me fui esquecendo que só contemplando as diferenças entre os humanos, poderei organizar o meu mundo no mundo dos outros.
Posso e devo fazer muitas coisas apesar das maleitas vindas de trás, somadas ao choque que agora sofri. Valha-me o Poder que sinto, mais forte do que qualquer possível bruxaria antiga ou de agora, que me tenham lançado.
São as pessoas inferiores que limitam e oprimem as pessoas superiores. Mesmo os caciques, déspotas e ditadores, só limitam e oprimem os povos, utilizando como cães de guarda os seres mais inferiores desses povos. É pois falsa a acusação de que fui alvo, eu nunca limitei ou oprimi alguém, no máximo poderei ter sido demasiado cuidador ( mesmo agora estou a cuidar da minha dor).
Mais uma vez amar alguém sem reservas me conduziu a esta parte do meu destino onde reina a mágoa. Entretanto se permanecer fiel a mim mesmo, não haverá escuridão nem melancolia, que me arrastem para caminhos sem esperança.
Vai doer mais e mais tempo, contudo são as dores os alarmes de segurança dos seres vivos. Se me não doesse a morte da minha querida mãe há um mês atrás, somada à  dor do choque do auto-afastamento da minha princesa, se nada me doesse, escrevia eu, aí sim estaria já morto.
Apetece-me partir, deixar para trás tudo o que construí com amor a pensar numa vida a dois, mas não o devo fazer, estou doente e impreparado.
Acabou-se o tempo de encontrar a minha princesa, ela decidiu partir de mim. No vazio dela que dentro de mim ficou, jaz agora bem morto, o princês, que ela em mim tinha construído com a sua bela voz e sorriso.
Filho, quanto mais te doer, mais deves levantar a cabeça! frase sábia da pessoa simples que é o meu pai.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Abaixo o PIB, viva o FIB

Desculpai-me senhores do poder, mas quando me impõem que tenho que fazer isto e aquilo para aumentar o PIB da nação, aquilo em que cada um de vocês pensa e deseja é no vosso FIB ( felicidade interna bruta). Aumentar o PIB é uma desculpa para serem mais felizes, à conta da infelicidade de quem vos põe no poleiro e depois vos paga as contas.
Abaixo o PIB, viva o FIB, mas não só o vosso. Eu e todos os outros também somos gente.